A palavra
que definirá os novos investimentos do ano de 2010 será, provavelmente,
infraestrutura. Cifras bilionárias são indispensáveis para preparar o Brasil
para sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, e tais
investimentos vão beneficiar empresas de engenharia e deflagrar uma onda de
contratações de profissionais especializados.
As
obras prioritárias para a realização dos jogos no Brasil incluem melhorias nas
áreas de mobilidade urbana, rede aeroportuária, hotelaria, saúde, saneamento e
telecomunicações, entre outras. Haverá ainda a necessidade de reformar ou
construir estádios para a realização das competições, bem como a adaptação do
entorno dessas edificações. Os recursos que viabilizarão as obras estão
previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) criado para a Copa
pelo governo federal, e deverão bater a casa dos R$ 21,8 bilhões.
Com o
país transformado em um grande canteiro de obras, o setor poderá enfrentar o
percalço da falta de mão de obra, principalmente a especializada. Os
engenheiros serão necessários em todo o processo produtivo, do projeto à
manutenção, mas a profissão já está desfalcada antes mesmo desse aumento da
demanda.
A
Federação Nacional de Engenheiros (FNE) calcula que quase 30% dos alunos de
engenharia abandonam o curso antes da formatura. Os motivos são variados: desde
a defasagem de alguns currículos universitários em relação à demanda do mercado
até a dedicação exigida ao estudante. Nas últimas décadas, a forte razão para
tantos jovens desencorajados foi o desaparecimento das perspectivas
profissionais, pela falta de investimentos.
Texto: Carlos Maurício de Paula Barros
(Engenheiro
e presidente da ABEMI - Associação Brasileira de Engenharia Industrial)
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