quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Agenda econômica do Brasil para este ano é uma das mais promissoras dos últimos 20 anos, afirmam especialistas



Após o estouro da crise econômica em setembro de 2008, diversas projeções foram feitas, entretanto, os últimos doze meses superaram as expectativas dos investidores em toda a parte do mundo. “O ano de 2009 foi surpreendente tanto para a economia real, quanto para o preço dos aditivos”, afirma Mauro Giorgi, gestor de recursos da Hera Investment.
A Bovespa chegou ao quarto trimestre de 2009 a níveis inimagináveis em relação ao mesmo período do ano passado e agora são crescentes as dúvidas em relação às economias brasileira e mundial, e a consequência nos preços das ações. De acordo com Nicholas Barbarisi, diretor de operações da Hera Investment, “os EUA ainda não terão condições de elevar a taxa de juros entre julho e setembro, o desemprego ainda será elevado e consumo não atingirá patamares satisfatórios. Com isso, ainda não haverá inflação”. Em relação à desvalorização do dólar – questão que preocupa desde exportadores até detentores de títulos -, os especialistas afirmam “Não temos condições de responder quando ocorrerá a alta da moeda americana, mas deixamos clara a preocupação na relação entre o dólar fraco versus o preço das commodities em alta. Além disso, uma especulação mais forte traz como possível impacto a formação de uma bolha”.
A China, segunda maior parceira comercial do Brasil, maior importadora de matérias-prima e driver do Ibovespa, está com a atenção voltada para os mercados americano e europeu, que não devem voltar, em 2010, aos níveis atingidos há três ou quatro anos. Segundo Nicholas, “Ainda não é possível dizer como será configurado o cenário chinês, mas é sabido que o mercado interno daquele país, por falta de renda, não tem a força que todos imaginavam e, portanto, estímulos precisarão ser mantidos”. Sendo assim, ainda não é plausível certificar a influência que os mercados chinês e americano exercerão sobre a economia brasileira, pelo menos enquanto as últimas estatísticas de exportações e importações não forem corroboradas pelo crescimento da economia como um todo.
Para o Brasil, os próximos anos trazem eleições presidenciais (2010) Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (Rio de Janeiro, 2016), e juntos com esses eventos, a chance de melhoria da infra-estrutura do país, apesar de todas as dificuldades. Em relação às eleições, Giorgi destaca: “Ano eleitoral, normalmente, traz dificuldades para as contas públicas, e hoje, segundo o Banco Central, elas estão em estado de atenção. Uma elevação nos juros não está descartada, apesar de na história recente, esses fatos não estarem atrelados. Por outro lado, o câmbio deve manter uma trajetória do ainda Real forte, pois criar volatilidade nessa época é sempre muito arriscado”.
Já as ações, que tiveram cotações exageradas em 2009, devem ficar sob atenção esse ano. Deve-se considerar que para manter o atual ritmo do mercado acionário, alguns pontos devem ser preservados, como: manter a média de entrada de capitais (no caso de investidores externos); a taxa de juros pode subir, mas sempre se mantendo abaixo de dois dígitos e sem projetar altas mais significativas para frente; as empresas devem obter lucros compatíveis com o crescimento econômico. Para Mauro, os fatores que podem atrapalhar essa projeção são “a quantidade acima do que o mercado suporta em aumentos de capital via emissão de ações ou vendas secundárias; o panorama político conturbado e a deterioração rápida das contas públicas”.
“O nosso receio maior é a realização de lucros pela razão mais simples do mercado de ações: alta muito forte e prazo de retorno acima de outros países com as mesmas condições que as nossas, o que precipitaria, por tempo indeterminado, uma série de fatores. Logo, apesar de promissor, 2010 também requer cautela” aconselha Nicholas.
As expectativas a longo prazo, independentemente das eleições, são positivas, pois as taxas de juros estão baixas, o que viabiliza crédito imobiliário e no varejo, e há ainda o investimento em infra-estrutura para os eventos como o pré-sal, ações muito importantes para a indústria de base nacional. O consumo interno tem boas perspectivas principalmente para empresas de varejo com penetração a nível nacional; a região nordeste deve apresentar crescimento acima da média; o setor de commodities, como mineração, siderurgia e petróleo devem continuar se valorizando, porém existe a incerteza deste setor depender do comportamento externo; o Ibovespa, que é baseado principalmente em empresas ligadas a commodities, terá seu desempenho bastante pressionado pelas incertezas devido à grande valorização observada até agora.
“Com todas essas variáveis, os setores que mais podem se beneficiar são os que têm presença marcante na economia nacional, mas com pouca exposição no mercado externo, ou seja, o financeiro (favorecido por uma elevação da demanda do crédito) e a construção civil (principalmente as empresas voltadas para a construção de imóveis residenciais de baixa renda, que contam com um pacote de estímulos do governo)”.

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