Adolescente mantém relacionamento à distância graças a recursos on-line
Eles se conheceram na Costa Rica, em um programa comunitário de serviços de verão para adolescentes. Em poucos dias, estavam apaixonados."Foi como um filme", suspirou Gabrielle Brown, de 17 anos. Durante um romântico mês, eles trabalharam e brincaram juntos. "Meu momento favorito foi quando nadamos juntos numa lagoa sob uma queda d'água", disse Eric Rodriguez, de 16 anos. Brown completou: "Me lembro de beijá-lo na chuva".
Tinha de chegar ao fim, naturalmente. Brown voltou para casa, em Ann Arbor, Michigan, e Rodriguez para a Filadélfia. Mesmo assim, nos meses seguintes, eles viram filmes juntos no Netflix, olharam-se nos olhos por horas e uma vez até passaram a noite juntos - tudo isso a centenas de quilômetros de distância um do outro.
Hoje em dia, graças ao Skype, o verão pode realmente não ter fim. "Ficávamos no Skype cerca de três horas por dia", disse Brown sobre os primeiros meses de separação do casal. Certa vez, segundo ela, ambos adormeceram ao lado do computador. "Fiquei apenas ouvindo ele dormir", contou ela.
O Skype, serviço de videoconferência pela web, tem sido uma bênção para os pais cujos filhos estudam longe, familiares distantes que querem vigiar uns aos outros e, obviamente, para namorados de longa distância. Mas, com final do outono - a alta temporada de uso do Skype entre os adolescentes que voltaram à vida real após as aventuras do verão -, alguns podem começar a se perguntar: os romances de verão seriam realmente destinados a continuar, ou ficariam melhor como uma doce lembrança?
Para os pais de adolescentes, o namoro via Skype pode oferecer um pouco de conforto em comparação à versão do tipo físico. "Esta é a boa notícia: os pais não terão de se preocupar com uma gravidez pelo Skype", brincou Josh Shipp, autor de The Teen's Guide to World Domination (na tradução livre, Guia da Dominação Mundial para Adolescentes) que é considerado autoridade em comportamento adolescente. "Mas minha preocupação é o modo pelo qual os jovens controlam seus sentimentos de amor ou, mais comumente, sua paixonite - pois agora isso pode levar a trocas ininterruptas de mensagens e conversas no Skype, e isso consome demais da pessoa".
Oliver Field, calouro do Occidental College, em Los Angeles, sabe muito bem como a internet pode transformar um caso de verão num longo relacionamento via Skype. Ele e a namorada, Elizabeth Chamberlain, caloura na University of Puget Sound em Tacoma, Washington, passaram muitos verões como amigos num acampamento da Costa Oeste antes de finalmente tornarem-se um casal, dois verões atrás.
"Definitivamente não é a situação mais fácil", explicou Field, citando colegas de quarto intrometidos que aparecem na tela. "Mas pelo menos, no Skype, conseguimos ver as reações faciais um do outro quando estamos separados".
Sua namorada nem sempre acha o Skype tão fácil. "Ele estava tão doente numa manhã que fiquei com ele o dia todo no Skype para ter certeza de ele estava bem", contou ela. "Mas também tive de ficar sentada assistindo quando duas meninas, que são amigas dele, entraram no quarto e lhe trouxeram sopa. Eu queria estar lá no lugar delas".
Lauren Trefny, estudante na University of Virginia, disse que nunca se esquecerá do último verão na Itália, e não apenas pelo incrível curso de arte que frequentou. "Eu o conheci em Roma", disse ela. "Ele era dinamarquês, meigo, inteligente e bonito. Foi tão romântico. Foi a aventura de verão perfeita".
Quando se separaram, há alguns meses, eles partiram para o Skype - mas logo perceberam que isso não funcionava tão bem. O fuso horário de seis horas entre eles dificultava os encontros.
"Por um lado, podíamos nos abrir muito mais no Skype do que seria possível por telefone", comparou Trefny. "Mas então um de nós sempre perdia um encontro marcado no Skype. E aí ficou impossível porque brigávamos, e você pode ver como a outra pessoa está nervosa, mas não consegue esticar a mão e tocá-la, confortá-la".
Trefny já usara o Skype num relacionamento distante anterior, com seu namorado do colegial. Mas ela disse que eles se conheciam o suficiente para superar essas dificuldades. "O Skype pode ser uma maneira de prolongar a mágica do relacionamento de verão", afirmou ela, "mas não sei se é a melhor forma de desenvolver uma relação".
De fato, embora Gabrielle Brown e Eric Rodriguez tenham se visitado três vezes desde que saíram da Costa Rica, em final de julho, eles decidiram terminar o namoro na última visita, no aeroporto.
"Nós nos amamos e pensamos em compartilhar o futuro juntos, mas no momento é difícil demais para os dois", explicou Brown. Seu rendimento escolar começou a ser afetado, segundo ela, por todo o tempo passado no Skype.
E Rodriguez acrescentou, com tristeza: "Acho difícil olhar para ela, mas não poder abraçá-la ou beijá-la".
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