Filme mostra a
trajetória de Jimi Hendrix em Londres e traz histórias e curiosidades sobre a
vida do maior guitarrista de todos os tempos por meio de depoimentos exclusivos
de contemporâneos do astro e artistas brasileiros como Pitty, Frejat, Pepeu
Gomes, Robertinho de Recife, Davi Moraes e George Israel
“Hendrix
mudou Londres ou Londres mudou Hendrix?”, teoriza o historiador Bruce Cherry no
documentário dirigido por Pedro Paulo Carneiro e Roberto Lamounier, filmado em
2010, sobre a trajetória do músico em terras britânicas. Para Bruce, ambos se
modificaram. Segundo George Israel, do Kid Abelha,
James Marshall Hendrix “aconteceu” na
Inglaterra. Tornou-se Jimi Hendrix e marcou a história do rock como um dos
músicos mais criativos e influentes do século XX.
No
Reino Unido, lançou
os sucessos “Hey Joe” e “Stone Free”, além de ter protagonizado uma das cenas
mais impactantes do universo da música: queimou a própria guitarra em cima do
palco durante show no Astoria Theatre, em Londres, em
1967 – antes de ser imortalizado pelas famosas apresentações nos Festivais de
Monterey (1967) e Woodstock (1969), nos Estados
Unidos.
O
documentário aborda esse e outros acontecimentos da vida do artista – desde a
chegada a Londres, em 1966, até o dia de sua morte prematura, aos 27 anos, em
setembro de 1970 – por meio de depoimentos de personalidades que conviveram com
o guitarrista ou foram influenciados por sua obra.
Momentos
emblemáticos são narrados por Chris Welch, autor da biografia de Hendrix e
jornalista da revista Melody Maker; John McCoy, produtor que assinou o
primeiro contrato de show com Jimi na Inglaterra; Mouse O’Brian, roadie do
cantor; e Keith Altham, repórter que fez a última entrevista com o músico. O
longa-metragem conta ainda com a participação da cantora Pitty nas filmagens
feitas em Londres, quando, ao lado de Jeff Dexter, amigo e produtor de Hendrix,
a roqueira baiana inaugurou uma placa comemorativa em homenagem ao ídolo no
hotel Hyde Park Inverness, primeiro lar de Jimi ao chegar na cidade.
O
tributo foi realizado durante o Hendrix Commemorative Experience, festival que
marcou os 40 anos da morte do guitarrista e serviu de inspiração para o filme.
Para destacar a perenidade do trabalho de Hendrix, os diretores resgatam imagens
da década de 1960 e oferecem trechos de shows de John Campbell, considerado a
reencarnação do músico, e sua banda Are You Experienced?, uma homenagem ao
primeiro disco de Hendrix.
Outros
artistas brasileiros também marcam presença no documentário com declarações
sobre a influência de Hendrix em suas carreiras e na história da música. Para
Pepeu Gomes, a obra do astro foi decisiva para a escolha de sua profissão. “Eu
toco guitarra por causa de Jimi Hendrix. Ele tem tudo a ver com a parte rock and
roll dos Novos Baianos. Hendrix foi a minha Berklee”, afirma. De acordo com
Frejat, o roqueiro se transformou no ícone mais
representativo de sua geração: “O que ele fez virou referência”.
A
opinião sobre o pioneirismo de Hendrix é compartilhada por Dexter. “Ele experimentou mais do que o normal. Isso estimulou os
outros a experimentarem também”. Segundo Keith Altham, o sucesso de Jimi
estava na exploração de várias facetas. “Ele agia como o pássaro Magpie, que se
alimenta da comida de outras aves”, avalia. O jornalista usa essa analogia para
explicar que o ídolo era uma grande mistura de diversas manifestações culturais.
Fã
do guitarrista desde os 14 anos, Robertinho do Recife ressalta a ascendência
cherokee do artista. A influência indígena na música e no vestuário do cantor
atraía admiradores e fortalecia sua fama de sedutor. E Aí Hendrix
mostra ainda a rivalidade que existia entre o músico e outros grandes
guitarristas ingleses como Pete Townshend, do The Who, Eric Clapton, Jimi Page e
Jeff Beck. Em uma das passagens do filme, a fotógrafa e cantora Lizzie Bravo e
Bruce Cherry falam sobre a célebre apresentação de Hendrix, no Saville Theatre,
em 1967, tocando a música “Sgt. Peppers” apenas quatro dias após o lançamento do
famoso disco dos Beatles. A performance surpreendeu até o próprio Paul
McCartney, que estava presente no show. Essas e outras histórias sobre a
aristocracia do rock londrino na década de 1960, representada por nomes como
Pink Floyd e Led Zeppelin, são contadas ao longo do filme.
O
“Pelé da guitarra”, como descreve Davi Morais, Hendrix não mudou apenas Londres.
Para seus admiradores, a genialidade de Jimi transformou a maneira de se fazer
rock.
O
filme é finalista da Mostra Competitiva Inffinito em Nova York e participará de
mais dez festivais de cinema. O lançamento acontece no dia 30 de abril, no
festival In-Edit, em São Paulo, e o pré-lançamento será no dia 12 de abril no
Hard Rock Café, no Rio de Janeiro, com exibição do longa e apresentações dos
artistas John Campbell, Roberto
Frejat, Pepeu Gomes, Pitty, George Israel & Filhos e Davi Moraes.
Trailer
de E Aí Hendrix:
http://www.youtube.com/watch?v=wCWx784jfQc.
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