O IPCA-15 (índice prévio da inflação oficial, o IPCA) mostrou elevação de 0,97% no mês, influenciado por transportes e, principalmente, educação
Benedito Sverberi
O item que mais contribuiu para avanço do IPCA-15 foi ‘educação’, com acréscimo de 5,88% (Jupiterimages)
O grupo dos alimentos – que por meses seguidos foi o ‘vilão’ da
inflação – mostrou desaceleração no mês; analistas alertam que esta
'acomodação' é apenas pontual
O item que mais contribuiu para avanço do IPCA-15 no mês foi ‘educação’, com acréscimo de 5,88% – a maior alta entre os grupos que compõem o indicador, tendo respondido por 0,41 ponto porcentual do resultado. De acordo com o IBGE, esta elevação ainda se explica pelos reajustes típicos de início do ano letivo, com destaque para os aumentos nas mensalidades escolares, que subiram 6,41% e constituíram-se no item de maior contribuição individual do mês (0,31 ponto percentual). Nas mensalidades de cursos diversos (escolas de idiomas, de informática, etc), a variação foi de 8,22%.
Serviços preocupam – Segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, ainda que seja normal queo IPCA-15 incorpore com força em fevereiro os aumentos das mensalidade escolares, o desempenho deste ano preocupa. A alta em 2011 ficou cerca de um ponto porcentual acima da verificada no ano passado. Serviços de, forma geral, aceleraram significativamente. Todos os 'núcleos' – cálculo feito por economistas para excluir ou atribuir menor peso na inflação dos aumentos sazonais, isto é, típicos de uma época do ano, e circunstanciais, provocado por fatores temporários ou casuais – vieram muitos altos.
Outro grupo de serviços que contribuiu para a aceleração do IPCA-15 foi 'transportes'. Este segmento registrou incremento de 1,04% em fevereiro, puxado pelos reajuste nas tarifas de ônibus urbanos de 3,37% – o que conferiu a este item contribuição de 0,13 ponto porcentual no IPCA-15 de fevereiro, a segunda maior alta individual do mês. Além disso, entre outros aumentos, destacaram-se as tarifas dos ônibus intermunicipais (1,28%) e interestaduais (3,34%).
O grupo ‘despesas pessoais’ apresentou aumento de 1,17% ainda sob a influência dos aumentos de salários pedidos pelos empregados domésticos (0,91%), acrescentando-se os itens jogos de azar (6,37%) e cigarros (1,61%).
Acomodação de 'alimentos' é pontual – O grupo dos alimentos, que por meses seguidos foi o ‘vilão’ da inflação, mostrou desaceleração no mês. De janeiro para fevereiro, a alta destes produtos passou de 1,21% para 0,57%, respectivamente. Já os produtos não alimentícios passaram de 0,62% para 1,09%.
Em alimentos, as carnes tiveram deflação (diminuição de preço), com variação de -1,87%. Outros alimentos também ficaram mais baratos, com destaque para o feijão carioca (-11,66%), batata-inglesa (-9,15%), feijão preto (-4,43%), arroz (-1,38%) e frango (-1,17%).
Contudo, economistas ouvidos pelo site de VEJA dizem que 'não há motivo para calmaria'. O recuo verificado no mês tem tudo para ser pontual, pois as commodities agrícolas enfrentam expressiva valorização no exterior e, nos próximos meses, implicarão novos aumentos de preços generalizados no país.
Os grupos ‘habitação' (de 0,60% em janeiro para 0,28% em fevereiro), ‘vestuário’ (de 0,83% para 0,13%) e ‘artigos de residência’ (de 0,58% para -0,13%) apresentaram redução nas taxas de um mês para o outro.
Fonte:Veja
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