Pesquisa traz perspectivas para as indústrias de telecomunicações,
tecnologia e mídia para o ano de 2011
Salvador,
09 de fevereiro de 2011
– Mais de 50% dos dispositivos de informática vendidos no mundo em 2011 não
serão computadores. Um estudo da Deloitte, uma das maiores organizações de
consultoria e auditoria do mundo, revela que, ao contrário do fenômeno dos
netbooks de 2009, quando os compradores escolheram máquinas que eram
essencialmente versões menos poderosas dos PCs tradicionais, o mercado de
computação deste ano será dominado pelos dispositivos que usam chips de
processamento e sistemas operacionais diferentes daqueles usados para PCs nos
últimos 30 anos, a exemplo dos smartphones e tablets.
A
pesquisa “Deloitte 2011 TMT Predictions” traz perspectivas para as indústrias de
telecomunicações, tecnologia e mídia para o ano de 2011, preparadas por meio da
análise das tendências apontadas por executivos das principais empresas do
mundo. A previsão é de que sejam vendidos cerca de 400 milhões de smartphones,
tablets e similares neste ano. As
empresas serão as responsáveis pela compra de 25%
de todos os tablets. Esse número tende a aumentar em 2012.
Embora
esse movimento ainda esteja no início, a indústria prevê 60% de crescimento para
2011, representando mais de US$ 10 bilhões. A maior parte dessa receita deve vir
de pagamento para esses dispositivos. “O Brasil está muito bem posicionado nesse
movimento. Para as empresas o desafio é criar sistemas diferentes para esses
tipos de aparelho, considerando, inclusive, a segurança do acesso. Os
funcionários esperam por isso”, destaca Marco Brandão, sócio-líder da Deloitte
para o atendimento de empresas de tecnologia, mídia e
Telecom.
Apesar
dos desafios de infraestrutura, como conexões mais rápidas e seguras, esse é um
caminho sem volta. “Percebemos que esse movimento vem trazendo mudanças
importantes, inclusive, nas relações humanas. Antes, as pessoas se escondiam
atrás das telas dos seus notebooks, agora com a adoção dos tablets ou
smartphones, acabam se mostrando mais, olhando nos olhos durante as reuniões”,
aponta Brandão.
Já
o setor mundial de computadores e videogames continuará crescendo em
2011. A
indústria tem previsão de gerar US$ 52 bilhões em receitas de software em 2011,
6 % maior que em 2010. O faturamento com hardware deve chegar a US$ 13 bilhões,
um declínio de 19%.
Internet/
Banda larga
- Em
2011, a
implantação da próxima geração Long Term Evolution (LTE), redes sem fio, vai
ficar aquém das expectativas da indústria, devido à continuação da viabilidade
da Terceira Geração (3G), tecnologia sem fio, como High Speed Packet Access
(HSPA +). O levantamento acredita que menos de 30 operadoras de LTE em seis
países irão comercializar esses serviços até ao final de 2011. Enquanto algumas
das maiores companhias aéreas do mundo, provavelmente implementarão a LTE, a
maioria das redes vai ficar com tecnologias de transição para o próximo ano. O
mercado global para implantar redes LTE é estimado em aproximadamente US$ 10
bilhões, em 2014.
Segundo
dados apurados pela pesquisa, a
introdução de redes LTE, bem como a atualização das atuais redes 3G HSPA+ vai
aumentar as velocidades disponíveis para a banda larga celular em 2011. LTE vai
oferecer maior eficiência, já que é menos propenso à interferência. Porém, suas
células podem ser menos onipresentes e, portanto, têm maior contenção e
congestionamento.
Enquanto
isso, as conexões Wi-Fi continuam a chegar mais rápido. A ligação sem fio a um
roteador já ultrapassa 100 Mbit /segundo, usando o padrão mais recente
(802.11n). As empresas de telefonia móvel devem ver o Wi-Fi e as conexões de
banda larga de celular como complementares e construir redes
mistas.
O
levantamento prevê ainda que o volume de dados carregados ou descarregados a
partir de dispositivos portáteis por meio de redes públicas de Wi-Fi vai crescer
a um ritmo muito mais rápido do que o volume transportado em redes de banda
larga celular em 2011.
A maior parte desse crescimento está atrelado ao acesso a
vídeos. Neste ano, 25% dos empresários norte-americanos do setor varejista
oferecerão, gratuitamente, acesso Wi-Fi para os clientes. Em
2012, a
proporção deve continuar a crescer na América do Norte e começa a se espalhar
pelo mundo. “No Brasil, a oferta de Wi-Fi tem sido utilizada como diferencial
competitivo para atrair clientes”, comenta Brandão.
O
recurso de videochamada será mais barato, melhor e mais disponível do que nunca,
mas ainda é pouco provável que ocorra um "boom" na demanda. A utilização de
vídeochamada, provavelmente, continuará a crescer de forma constante, porém a
maioria das pessoas, no mundo, ainda prefere os encontros
presenciais.
Redes
Sociais
- As redes sociais podem ultrapassar o marco de um bilhão de usuários. No
entanto, a receita de publicidade diretamente atribuível às redes sociais pode
permanecer relativamente modesta, se comparada a outros meios de comunicação,
pelo menos no curto prazo. Apesar da audiência da mídia social ser grande e
crescente, as suas receitas publicitárias representam menos de 1% do volume do
mercado. Outras fontes de receitas das redes sociais tais como sistemas de
pagamentos e comércio eletrônico, deverão apresentar um crescimento mais
rápido.
Entretanto,
as redes sociais podem atingir impressionantes margens brutas, apesar de sua
baixa receita por usuário - sobretudo quando comparadas com as empresas
tradicionais de mídia. O custo de uma rede social de conteúdo é próximo de zero,
uma vez que apenas fornece a infraestrutura, enquanto seus usuários e
desenvolvedores de aplicativos fornecem todo o
conteúdo.
Em
2011, a
história das redes sociais continuará a ser escrita sem uma conclusão clara à
vista. A questão agora é saber se as redes sociais podem sustentar sua
trajetória de crescimento e encontrar melhores formas de rentabilizar o
valor.
Mídia
- Em
2011, a
audiência televisiva global deve chegar a 3,7 bilhões de espectadores. Lembrando
que a metade da população mundial permanecerá inexplorada por esse meio,
deixando margem significativa para o mercado de televisão elevar ainda mais
estes números nos próximos anos.
O
estudo prevê que a televisão irá se solidificar como super mídia. A previsão é
de que os espectadores assistam, em todo o mundo, mais de 140 bilhões de horas
de televisão. Além disso, as receitas das empresas que comercializam TV por
assinatura, nos países BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) devem subir até
20%.
Um
dos principais beneficiários do aumento de uso simultâneo da Web e da televisão
pode ser a propaganda. A publicidade televisiva
vai aumentar, no mundo, em US$ 10 bilhões. Outro número interessante é a
perspectiva de ganho de 40 milhões de usuários. Os programas televisivos, assim
como já é observado atualmente, continuarão sendo temas comentados ao redor do
mundo e alvo de mais de um bilhão de tweets. Em suma, a televisão,
provavelmente, vai continuar a comandar uma parte crescente da atenção do
mundo.
“Essa
também é uma realidade brasileira. No país, a televisão é um dos meios mais
populares. Sem dúvida, ela continuará a exercer papel importante no
entretenimento doméstico”, comenta Brandão.
TV
e Tecnologia
- A tecnologia é a grande aliada das empresas de televisão. A migração constante
para a alta definição deve proporcionar oportunidades significativas para o
up-selling -
técnica na qual um vendedor tenta levar o cliente a comprar bens de maior valor
agregado. A
penetração crescente de televisores grandes de tela plana deve aumentar o
impacto visual tanto na programação, quanto na publicidade. Além disso, a
tecnologia 3D pode fornecer um fluxo de receita adicional, a médio e longo
prazo.
eGov
-
Para
2011, o estudo prevê que o eGov esteja mais presente no dia-a-dia dos Governos
Federais, em todo o mundo. O termo eGov se refere a medidas que vão desde
mudanças na forma de registro de informações até soluções muito específicas. Em
todos os países desenvolvidos, 90% das empresas devem utilizar os serviços do
eGov, em pelo menos um processo. Em 2010, este percentual foi de 75%.
No
Brasil, já é possível contar com a tecnologia. Ao construir uma infraestrutura
de software, o governo é capaz de oferecer acesso a serviços públicos pela
internet, telefone, celulares, aparelhos sem fio e por centros tecnológicos.
“Entre os objetivos do eGov podemos destacar a informação e a transparência com
os cidadãos. Esta forma de comunicação demonstra o profissionalismo do governo,
não só no Brasil, mas em muitos países do mundo”, destaca
Brandão.
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