sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Estudo da Deloitte prevê crescimento exponencial das vendas de smartphones e tablets


Pesquisa traz perspectivas para as indústrias de telecomunicações, tecnologia e mídia para o ano de 2011


Salvador, 09 de fevereiro de 2011 – Mais de 50% dos dispositivos de informática vendidos no mundo em 2011 não serão computadores. Um estudo da Deloitte, uma das maiores organizações de consultoria e auditoria do mundo, revela que, ao contrário do fenômeno dos netbooks de 2009, quando os compradores escolheram máquinas que eram essencialmente versões menos poderosas dos PCs tradicionais, o mercado de computação deste ano será dominado pelos dispositivos que usam chips de processamento e sistemas operacionais diferentes daqueles usados para PCs nos últimos 30 anos, a exemplo dos smartphones e tablets.
A pesquisa “Deloitte 2011 TMT Predictions” traz perspectivas para as indústrias de telecomunicações, tecnologia e mídia para o ano de 2011, preparadas por meio da análise das tendências apontadas por executivos das principais empresas do mundo. A previsão é de que sejam vendidos cerca de 400 milhões de smartphones, tablets e similares neste ano. As empresas serão as responsáveis pela compra de 25% de todos os tablets. Esse número tende a aumentar em 2012.
Embora esse movimento ainda esteja no início, a indústria prevê 60% de crescimento para 2011, representando mais de US$ 10 bilhões. A maior parte dessa receita deve vir de pagamento para esses dispositivos. “O Brasil está muito bem posicionado nesse movimento. Para as empresas o desafio é criar sistemas diferentes para esses tipos de aparelho, considerando, inclusive, a segurança do acesso. Os funcionários esperam por isso”, destaca Marco Brandão, sócio-líder da Deloitte para o atendimento de empresas de tecnologia, mídia e Telecom.
Apesar dos desafios de infraestrutura, como conexões mais rápidas e seguras, esse é um caminho sem volta. “Percebemos que esse movimento vem trazendo mudanças importantes, inclusive, nas relações humanas. Antes, as pessoas se escondiam atrás das telas dos seus notebooks, agora com a adoção dos tablets ou smartphones, acabam se mostrando mais, olhando nos olhos durante as reuniões”, aponta Brandão.
Já o setor mundial de computadores e videogames continuará crescendo em 2011. A indústria tem previsão de gerar US$ 52 bilhões em receitas de software em 2011, 6 % maior que em 2010. O faturamento com hardware deve chegar a US$ 13 bilhões, um declínio de 19%.
Internet/ Banda larga - Em 2011, a implantação da próxima geração Long Term Evolution (LTE), redes sem fio, vai ficar aquém das expectativas da indústria, devido à continuação da viabilidade da Terceira Geração (3G), tecnologia sem fio, como High Speed Packet Access (HSPA +). O levantamento acredita que menos de 30 operadoras de LTE em seis países irão comercializar esses serviços até ao final de 2011. Enquanto algumas das maiores companhias aéreas do mundo, provavelmente implementarão a LTE, a maioria das redes vai ficar com tecnologias de transição para o próximo ano. O mercado global para implantar redes LTE é estimado em aproximadamente US$ 10 bilhões, em 2014.
Segundo dados apurados pela pesquisa, a introdução de redes LTE, bem como a atualização das atuais redes 3G HSPA+ vai aumentar as velocidades disponíveis para a banda larga celular em 2011. LTE vai oferecer maior eficiência, já que é menos propenso à interferência. Porém, suas células podem ser menos onipresentes e, portanto, têm maior contenção e congestionamento.
Enquanto isso, as conexões Wi-Fi continuam a chegar mais rápido. A ligação sem fio a um roteador já ultrapassa 100 Mbit /segundo, usando o padrão mais recente (802.11n). As empresas de telefonia móvel devem ver o Wi-Fi e as conexões de banda larga de celular como complementares e construir redes mistas.
O levantamento prevê ainda que o volume de dados carregados ou descarregados a partir de dispositivos portáteis por meio de redes públicas de Wi-Fi vai crescer a um ritmo muito mais rápido do que o volume transportado em redes de banda larga celular em 2011. A maior parte desse crescimento está atrelado ao acesso a vídeos. Neste ano, 25% dos empresários norte-americanos do setor varejista oferecerão, gratuitamente, acesso Wi-Fi para os clientes. Em 2012, a proporção deve continuar a crescer na América do Norte e começa a se espalhar pelo mundo. “No Brasil, a oferta de Wi-Fi tem sido utilizada como diferencial competitivo para atrair clientes”, comenta Brandão.
O recurso de videochamada será mais barato, melhor e mais disponível do que nunca, mas ainda é pouco provável que ocorra um "boom" na demanda. A utilização de vídeochamada, provavelmente, continuará a crescer de forma constante, porém a maioria das pessoas, no mundo, ainda prefere os encontros presenciais.
Redes Sociais - As redes sociais podem ultrapassar o marco de um bilhão de usuários. No entanto, a receita de publicidade diretamente atribuível às redes sociais pode permanecer relativamente modesta, se comparada a outros meios de comunicação, pelo menos no curto prazo. Apesar da audiência da mídia social ser grande e crescente, as suas receitas publicitárias representam menos de 1% do volume do mercado. Outras fontes de receitas das redes sociais tais como sistemas de pagamentos e comércio eletrônico, deverão apresentar um crescimento mais rápido.
Entretanto, as redes sociais podem atingir impressionantes margens brutas, apesar de sua baixa receita por usuário - sobretudo quando comparadas com as empresas tradicionais de mídia. O custo de uma rede social de conteúdo é próximo de zero, uma vez que apenas fornece a infraestrutura, enquanto seus usuários e desenvolvedores de aplicativos fornecem todo o conteúdo.

Em 2011, a história das redes sociais continuará a ser escrita sem uma conclusão clara à vista. A questão agora é saber se as redes sociais podem sustentar sua trajetória de crescimento e encontrar melhores formas de rentabilizar o valor.
Mídia - Em 2011, a audiência televisiva global deve chegar a 3,7 bilhões de espectadores. Lembrando que a metade da população mundial permanecerá inexplorada por esse meio, deixando margem significativa para o mercado de televisão elevar ainda mais estes números nos próximos anos.
O estudo prevê que a televisão irá se solidificar como super mídia. A previsão é de que os espectadores assistam, em todo o mundo, mais de 140 bilhões de horas de televisão. Além disso, as receitas das empresas que comercializam TV por assinatura, nos países BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) devem subir até 20%.
Um dos principais beneficiários do aumento de uso simultâneo da Web e da televisão pode ser a propaganda. A publicidade televisiva vai aumentar, no mundo, em US$ 10 bilhões. Outro número interessante é a perspectiva de ganho de 40 milhões de usuários. Os programas televisivos, assim como já é observado atualmente, continuarão sendo temas comentados ao redor do mundo e alvo de mais de um bilhão de tweets. Em suma, a televisão, provavelmente, vai continuar a comandar uma parte crescente da atenção do mundo.
“Essa também é uma realidade brasileira. No país, a televisão é um dos meios mais populares. Sem dúvida, ela continuará a exercer papel importante no entretenimento doméstico”, comenta Brandão.
TV e Tecnologia - A tecnologia é a grande aliada das empresas de televisão. A migração constante para a alta definição deve proporcionar oportunidades significativas para o up-selling - técnica na qual um vendedor tenta levar o cliente a comprar bens de maior valor agregado. A penetração crescente de televisores grandes de tela plana deve aumentar o impacto visual tanto na programação, quanto na publicidade. Além disso, a tecnologia 3D pode fornecer um fluxo de receita adicional, a médio e longo prazo.
eGov - Para 2011, o estudo prevê que o eGov esteja mais presente no dia-a-dia dos Governos Federais, em todo o mundo. O termo eGov se refere a medidas que vão desde mudanças na forma de registro de informações até soluções muito específicas. Em todos os países desenvolvidos, 90% das empresas devem utilizar os serviços do eGov, em pelo menos um processo. Em 2010, este percentual foi de 75%.
No Brasil, já é possível contar com a tecnologia. Ao construir uma infraestrutura de software, o governo é capaz de oferecer acesso a serviços públicos pela internet, telefone, celulares, aparelhos sem fio e por centros tecnológicos. “Entre os objetivos do eGov podemos destacar a informação e a transparência com os cidadãos. Esta forma de comunicação demonstra o profissionalismo do governo, não só no Brasil, mas em muitos países do mundo”, destaca Brandão.

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