Especialista dá dicas de hábitos
saudáveis
O número de brasileiros que sofre
pela alteração do colesterol atinge hoje 25,4% da população do nosso país. Um
número em constante crescimento nos últimos cinco anos, já que em 2004 atingia
18%.
Apesar de a incidência ser mais
comum em homens, onde hoje atinge a casa de 26,4% da população masculina, as
mulheres têm apresentado um crescimento num ritmo intenso que mudou de 14,4%
para 23,7% nos últimos anos.
Encontrado exclusivamente nos
produtos de origem animal, o colesterol é agrupado à família das gorduras. Além
de estar presente nos alimentos que ingerimos, a maior parte, cerca de 70%, é
produzido no nosso corpo, principalmente pelo fígado.
Geralmente considerado ruim, o
colesterol paga por quase todos os males do coração, no entanto, poucos sabem o
quanto ele é importante para o bom funcionamento do organismo. “O colesterol é
indispensável na produção dos hormônios masculinos e femininos, na síntese de
vitamina D, na construção e restauração contínua das membranas que envolvem as
células, na composição do ácido biliar que regula a digestão dos alimentos,
entre outras funções” explica doutora Andrea Dario Frias, PhD em nutrição e
coordenadora do Centro de Pesquisa Sanavita. “Por isso, ninguém vive sem
colesterol. O importante é tê-lo na medida certa, e para isso devemos monitorar
os 30% que ingerimos através da alimentação”, comenta.
Em excesso, o colesterol costuma
depositar-se sob a forma de placas nas paredes das artérias. Esses depósitos de
gordura ricos em colesterol atraem compostos de cálcio que engrossam e enrijecem
ainda mais as artérias, levando a arteriosclerose. Com isso, a passagem do
sangue é obstruída, o que cololoca em risco o funcionamento do coração, podendo
levar ao infarto agudo do miocárdio.
No sangue, o colesterol pode estar
livre ou fazendo parte das chamadas lipoproteínas. “O colesterol contido nas
lipoproteínas HDL, chamado de bom colesterol, não participa do processo de
obstrução das artérias e tem ainda um efeito protetor, porque retira o
colesterol dos tecidos e o leva para o fígado onde é eliminado ou
reaproveitado”.
A especialista explica também que
por defeito genético ou enzimático, existem pessoas que produzem muito
colesterol no fígado; nesse caso, é extremamente importante que haja o
acompanhamento de um cardiologista, com o objetivo de monitorar as taxas do
colesterol endógeno.
Nos últimos anos, vários estudos
demonstraram os efeitos benéficos do consumo de certos alimentos para a redução
dos níveis de colesterol. Conhecidos como alimentos funcionais, eles apresentam
em sua composição fibras, substâncias antioxidantes ou ainda gorduras
específicas (tais como os ômegas 3 e 9) capazes de controlar o colesterol ruim
além de elevar, em alguns casos, as taxas do bom
colesterol.
“A linhaça, soja, aveia, os chás
derivados da Camellia sinensis (verde, branco, etc), os peixes marinhos (atum,
sardinha, salmão, cavala, anchova etc), o azeite de oliva e sementes como a
castanha do pará, nozes e amêndoas, são exemplos de alimentos que
comprovadamente trazem benefícios para o coração”, afirma Andrea.
A linhaça, por exemplo, é rica em
fibras e ácidos graxos ômega 3 e 9. Estudos mostram que essa combinação auxilia
no controle dos níveis de triglicérides e colesterol, além de favorecer a
diminuição da inflamação e reduzir a agregação plaquetária. Já em relação aos
chás à base de Camellia sinensis, os benefícios são atribuídos ao alto conteúdo
de catequinas (polifenóis), substâncias com ação antioxidante presentes na
bebida.
Andrea comenta também que a
indústria de alimentos tem intensificado as pesquisas nessa área, promovendo o
desenvolvimento de alimentos especialmente desenhados para ajudar no controle
dos níveis de colesterol. Ela cita como exemplo produtos enriquecidos com ômega
3, fitosteróis, fibras de frutas e/ou cereais, proteínas de soja, entre outros,
cada vez mais presentes nas prateleiras dos supermercados, e finaliza com um
modelo de produto desenvolvido nesses moldes.
“Participamos do desenvolvimento de um
alimento que contém em sua composição os ômegas 3 e 9 e fibras da farinha de
linhaça dourada, substâncias com ação comprovada sobre os níveis de lipídios no
sangue. O alimento, batizado com o nome de Linomax, foi enriquecido com um mix
de vitaminas do complexo B (B6, B12 e ácido fólico) que ajuda a diminuir as
concentrações de homocisteína”, explica.
A homocisteína é um aminoácido que
em excesso no sangue, provoca aumento do risco de coágulos e o entupimento das
artérias, além de contribuir para a formação de depósitos de gordura nas paredes
dos vasos sanguíneos, aumentando sua rigidez e dando origem à chamada
aterosclerose.
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